Linha do Corgo: Régua -> Vila Real

15 de Dezembro de 2007

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A nossa terceira aventura começou logo às 6 horas da manhã com muita agitação já que tínhamos um comboio para apanhar às 6h20 na estação de Porto - São Bento e ainda estávamos em Baguim do Monte (pequena localidade de Gondomar) quando já eram 6h00!!
E foi com alguma destreza e cometendo várias "ilegalidades" no trânsito que chegámos à estação. Como já nos encontrávamos em "cima da hora" entramos na estação em passo de corrida não tendo tido tempo sequer para comprar bilhete! Atendendo a que se tratava de um comboio urbano, os nossos bilhetes deveriam ser adquiridos nas máquinas automáticas existentes junto às plataformas (ou na bilheteira). Por conseguinte, e após a agitação vivida, tivemos de explicar ao revisor que devido à falta de tempo não conseguimos bilhetes antes de embarcar. Este, muito atenciosamente, nos vendeu os bilhetes até Caíde, uma vez que estes comboios só fazem o percurso até esta mesma estação. Assim sendo, como o comboio urbano (UME 3400) utiliza a tracção eléctrica e a linha só se encontra electrificada até Caíde, tivemos de realizar o transbordo, nesta estação, para uma automotora diesel (UTD 650) que, por acaso, é uma das nossas preferidas já que permite-nos viajar à janela sem problemas.





Este último comboio levou-nos, finalmente, até à estação da Régua, local onde iríamos iniciar a nossa caminhada.



Uma vez chegados à Régua, por volta das 8h45, e depois de um reconfortante pequeno almoço tomado no café dentro desta estação, visitámos um conjunto de locomotivas a vapor já com mais de meio século! Estas encontravam-se cobertas por uma camada de gelo devido às temperaturas muito baixas que se faziam sentir.
Logo depois, pusemo-nos a caminho! O primeiro quilómetro da nossa linha, a linha do Corgo, que é de via estreita, é coincidente com a linha do Douro, numa linha algaliada: uma linha de via estreita ao centro de uma linha de via larga.
A Linha do Corgo, tinha uma extensão original total de 96 kms já que ligava Régua a Chaves. Em Janeiro de 1990, o troço entre Vila Real e Chaves foi desactivado e, actualemnte, reconvertido (alguns pequenos troços da linha) em ciclovia. Restam apenas os 25 kms entre Vila Real e Régua, percorridos por nós nesta caminhada. Actualmente, até este troço se encontra encerrado (encerrado em 25 de Março de 2009, ainda que temporariamente, por questões de segurança), até serem feitas obras de beneficiação. Ora essas obras já começaram: retiraram os carris e o balastro da Linha. Depois disso, NADA foi feito!
Podemos dizer, então, que temos imagens históricas de um comboio que já não circula, de carris que já não existem... Enfim, é o que temos... Mas voltemos à caminhada...
O nosso primeiro obstáculo foi uma ponte metálica, ainda no primeiro quilómetro, com um comprimento de cerca de 80 metros. Esta ponte é sobre o Rio Corgo e também é uma ponte da Linha do Douro. Logo após a atravessarmos, deixámos definitivamente a Linha do Douro, numa curva à esquerda.



Aqui temos a estação do Corgo (km 1,2). Vamos, então, na linha que nos vai levar até Vila Real!
Depois de andarmos cerca de 3 quilómetros, encontramos o apeadeiro da Tanha (km 3,4) seguido da ponte sobre o rio com o mesmo nome. Esta ponte tem cerca de 50 metros de comprimento e uma altura considerável. Ali perto, encontra-se uma ponte com uma cota muito superior à linha, na qual passava o IP3.




E a nossa caminhada continuou. Passámos, além da Tanha, por Alvações e Povoação e encontrámos um local que nos pareceu agradável onde parámos para almoçar.
Apeadeiro de Alvações (km 7.1)
Apeadeiro de Povoação (km 11.4)

Após o reconfortante almoço, pusemo-nos novamente ao caminho. Na parte da tarde passamos por Carrazedo, Cruzeiro e, finalmente, Vila Real!


Estação de Carrazedo (km 14,2)
Apeadeiro de Cruzeiro (km 17,9)


Ao longo do percurso, verificamos que, em algumas partes e devido ao terreno que é bastante acidentado nesta zona, a linha faz, por vezes, curvas tão apertadas que a situação poderia ser resolvida com uma pequena ponte já que nos encontramos praticamente no mesmo sítio!
Continuando a nossa caminhada, íamos encontrando neve na linha, o que nos deixou bastante surpreendidos uma vez que já eram altas horas da tarde e o sol brilhava!



Nos últimos quilómetros foi escurecendo e, em certa altura, começámos a visualizar um conjunto de luzes que nos levou a termos a certeza que estaríamos a chegar a Vila Real.
Estação de Vila Real (km 25)

E assim foi. Após chegarmos à estação destino, como não podia deixar de ser, fomos visitar a locomotiva a vapor existente no exterior da estação, havendo a curiosidade de subir a "bordo" da mesma, simulando o que seria os bons velhos tempos do vapor...

Como tínhamos que regressar à Régua, e estando o comboio prestes a partir, dirigimo-nos para a estação e embarcamos, efectuando a viagem de regresso. O comboio das 17h55 foi o nosso escolhido.
E chegámos à Régua, onde fizemos o necessário transbordo para um comboio de via larga: UTD 650. Esse comboio partiu às 19h03 desta estação com destino a Porto - São Bento.
Foi uma viagem nocturna, o que não permitiu desfrutar da paisagem (estaria muito frio para abrir as janelas) e que terminou, em São Bento, cerca das 20h55.
E, como tudo acaba onde começa, lá terminamos a nossa aventura na bela estação de Porto - São Bento!
Apesar de ser uma linha sempre a subir e com muitas, muitas curvas, nós achámo-la muito interessante já que nos proporciona uma paisagem magnífica. É pena, realmente, que uma linha com esta beleza se encontre escerrada, mas... enfim...

Fotos da Aventura (podem ser melhor visualizadas na nossa galeria de fotos):
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1 comentário:

Humberto Fernandes disse...

Obrigado por esta partilha e pela vossa curiosidade em conhecer e dar também a conhecer estes lugares maravilhosos do nosso Portugal! Pena o material estar degradado e haver tantas linhas encerradas! Continuem o vosso bom trabalho!!!